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Encontros Improváveis

Histórias sobre tudo e sobre nada

Histórias sobre tudo e sobre nada

Encontros Improváveis

08
Mar18

Porque é que ainda precisamos de um dia da Mulher?

Não, não queremos descontos nem promoções.

Não queremos ofertas de massagem ou usar t-shirts cor-de-rosa.

Não queremos cocktails de graça nem flores.

Não queremos felicitações.

Não hoje.

 

Queremos receber o mesmo salário quando temos as mesmas funções e responsabilidades.

Queremos ser líderes sem ouvir que somos demasiado duras e que poderíamos ser mais calmas já que somos mulheres.

Queremos não ter de abdicar da carreira nem das amizades nem da vida social por também querer ter uma família. 

Queremos conduzir.

Queremos votar. 

Queremos ler, escrever e ter acesso à educação.

Queremos o fim de práticas de tortura disfarçadas de cultura como a mutilação genital feminina.

Queremos poder usar baton ou não usar baton, usar saltos altos ou não usar saltos altos, usar o véu ou não usar o véu, conforme nos apetecer. Sem ter de ouvir qualquer comentário depreciativo, especialmente de outras mulheres.

Queremos que não assumam que é o homem que nos acompanha que vai provar o vinho ou pagar a conta. 

Queremos que percebam que a culpa da traição é de ambos que traíram, não é certamente só da "outra".

Queremos que a colecção de Essenciais da RTP (ou qualquer outra colecção cultural) tenha mais do que uma mulher escolhida nos mais de 20 livros já publicados. Não para cumprir critérios, mas por mérito.

Queremos que incluir mulheres numa proposta de investigação ou num painel de uma conferência seja o normal e não para cumprir requisitos.

Queremos que as quotas já não sejam necessárias.

 

Não queremos ser supermulheres nem guerreiras, queremos mesmo é que já não seja preciso um dia da Mulher.

 

 

03
Mar18

Conversas

— Que miúda?

 

— Não estás a prestar atenção nenhuma. A miúda do 3° esquerdo. Tem um namorado novo.

 

— E depois? Estás sempre preocupada com a vida dos outros. Tenho mais em que reparar.

 

— Pronto, pronto, já vi que estás de mau humor. Estás com má cara… o que se passa?

 

— Ser adulto não é nada fácil.

 

— Não, não é. Mas é bem mais interessante que ser criança.

 

— Tudo me corre mal, não sou nada do que esperam de mim. Ainda ontem tive de ouvir outra vez as colegas do trabalho a dizer que se tivesse filhos, não passeava tanto como passeio.

 

— E depois? Agora já te interessa o que os outros pensam? Para além de que isso é parvo. Podes ter filhos e passear na mesma com eles.

 

— Sinto-me estúpida. E deslocada. Até o Arnaldo me deixou.

 

— Que confusão para aí vai. O Arnaldo foi porque quis. Ou melhor, já não quis ficar. E tu também não querias. Ou achas que é melhor estar numa relação só para não estar sozinho.

 

— Já não sei nada…

 

— Calma, as coisas irão melhorar. Vaia ver. Preocupa-te em alinhares essas ideias. Em focares-te no que queres. Tens de ter um trunfo. Logo que saibas qual é, o que queres, as coisas correm melhor.

 

— É isso. Tens razão. Não devia ter deixado o L. ir para tão longe… Devia ter ido com ele. Tudo seria mais fácil.

 

— Ainda podes ir, Júlia.

 

Parte 2

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