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Encontros Improváveis

Histórias sobre tudo e sobre nada

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Encontros Improváveis

22
Fev18

E se?

“A terra não gira à volta do sol, gira à volta do se”. Não será exactamente esta a frase que li há muitos e muitos anos num livro da Alice Vieira — acho que foi no livro “Úrsula, a maior” — mas a ideia ficou comigo.

 

“E se?” é uma das grandes questões que nos colocamos, especialmente no final do ano, altura muito dada a reflexões e listas e resoluções. Pensamos no que podíamos ter feito de diferente em vários momentos do ano e como estaríamos agora se B tivesse acontecido em vez de A.

 

Este não é um tema novo; aliás, há vários exemplos interessantes no cinema e na literatura, sendo o mais recente um dos nomeados para o Man Booker Prize, “4, 3, 2, 1” de Paul Auster. O escritor americano conta a história de Archie Ferguson em quatro versões diferentes, quatro caminhos que a sua vida tomou, dependendo das suas acções. O livro já mora na minha estante, mas ainda não o comecei a ler (já temos um “e se?” aqui mesmo, este texto talvez fosse completamente diferente se tivesse lido o livro).

 

Não é, no entanto, sobre esta questão do que foi e do que poderia ter sido que me quero debruçar. A verdade é que há, sim, coisas que poderiam ter sido diferentes, mas não temos como saber e isso não é necessariamente mau. Quem somos neste momento é a soma de todas as nossas experiências e, se não estamos particularmente contentes com quem somos, podemos sempre mudar (pelo menos, os aspectos que podemos controlar, já que pouco ou nada podemos fazer relativamente aos aspectos externos).

 

Normalmente, o “e se?” toma maior proporção quando não estamos felizes com algo (ou com o todo). Não fiz nenhum estudo nem tenho dados estatísticos concretos, mas diria que a grande maioria das pessoas diria que quer ser feliz. Ora, a felicidade é um estado de espírito, tal como a tristeza é, ambos igualmente relevantes para a nossa vida, mas também sensações com duração limitada. Já defendo isto há algum tempo e, por isso, fiquei entusiasmada por ver uma TED talk da conferência deste ano intitulada “There’s more to life than being happy”.

 

Emily Esfahani Smith fala em quatro pilares que são essenciais para uma vida com impacto:

 

  • Pertença — pertencer a uma comunidade, um grupo, uma tribo.
  • Propósito — ter um propósito na vida, qualquer que ele seja.
  • Transcendência — sentir-se ligado a uma realidade superior, o que não tem de ser necessariamente através da crença num Deus. Smith fala, por exemplo, na arte ou na escrita.
  • Contar histórias — interagir com os outros através de histórias é uma parte importante do que é ser humano.

 

Recomendo que vejam o vídeo e, já agora, pensem um pouco sobre estes quatro pilares. Talvez 2018 possa ser melhor se conseguirmos melhorar algum deles e não nos preocuparmos tanto com as sensações.

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